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Em busca de sinergia e crescimento, empreendedor cria central de marcas
Marianna Aragão
O bom momento que o setor de franquias atravessa no País está fazendo surgir um novo tipo de empreendedor. São profissionais que, com anos de experiência num mercado que cresce a um ritmo de dois dígitos ao ano, criam, compram e administram várias marcas de franquias. O resultado é o surgimento de verdadeiras ''''centrais'''' desse tipo de negócio, que podem abrigar de redes de lanchonetes a escolas de idiomas. ''''É uma tendência que reflete o amadurecimento do setor de franquias brasileiro'''', avalia Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto, consultoria especializada em franquias.
Um dos personagens principais desse movimento no Brasil é o
empreendedor Sérgio Milano. Responsável por introduzir o modelo de
franquias na livraria criada por seu avô, a Nobel, ele começou em 2005
a montar sua cesta de marcas. ''''Descobri que podia usar em outras
atividades a mesma estrutura que permitiu a expansão da Nobel'''',
conta.
O primeiro alvo de Milano foi a loja de decoração Benedixt, que de loja
única em São Paulo passou a rede com 12 unidades em cinco Estados.
Depois, vieram a escola de línguas Centro Britânico, o Café Donuts, a
loja de brinquedos Zás-Trás e a Camargo Mais, do ramo imobiliário.
Segundo ele, a sinergia ocorre em vários setores. Serviços como call
center, jurídico, publicidade e treinamento de pessoal são os mesmos
para as seis empresas. ''''Dividir essas atividades, que representam
80% dos custos da franquia, traz mais rentabilidade para o meu
negócio.'''' Segundo consultores, a economia média com a unificação
pode chegar a 10%.
ETAPAS QUEIMADAS
Outro que está criando sua própria central de franquias é o empresário
Jae Ho Lee, que administra a rede Morana Acessórios, com 100 lojas, e a
Jin Jin, de comida asiática, com 42 unidades. No próximo mês, Lee vai
acrescentar à sua lista a Balonê, loja de acessórios voltada para o
público infantil. ''''A marca nasce crescida, com várias etapas do
processo de amadurecimento queimadas.''''
Para a consultora de franchising Cláudia Bittencourt, ter uma rede de
franqueados estabelecida acelera o crescimento. ''''Expandir o novo
negócio fica mais fácil e rápido para esses empreendedores.'''' A
perspectiva se aplica ao caso de Lee. Segundo o empresário, pelo menos
20 franqueados da Morana demonstraram interesse em abrir uma unidade da
Balonê. Já no caso de Milano, muitos franqueados da Nobel optaram por
abrir a loja de brinquedos (Zás-Trás) ou a lanchonete (Café Donuts)
dentro da livraria.
EVOLUÇÃO
Agrupar franquias sob um mesmo comando é uma estratégia comum em outros
países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o grupo Yum! Brands detém as
redes de lanchonetes KFC, Pizza Hut e Taco Bell. Segundo o consultor
Marcelo Cherto, a medida atrai investidores. E, num segundo momento,
abre caminho para a abertura de capital em Bolsa de Valores - caso da
Yum!, que tem ações negociadas na Bolsa de Nova York.
Por aqui, pelo menos um passo nesse caminho já foi dado. Em setembro,
Milano, da Nobel, criou um fundo voltado exclusivamente para
investimentos em empresas franqueadoras, o Franchising Ventures. Até
hoje, o fundo captou R$ 36 milhões, quantia que será utilizada na
aquisição parcial de ações de redes de franquias. ''''É uma forma do
franqueador que não tem capital imediato se financiar'''', diz Milano.
O objetivo é chegar a 10 redes para, depois, abrir o capital.
Fonte:
O ESTADO DE S.PAULO
09 OUTUBRO 2007
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